Muito se falou sobre o mundial feminino, onde a seleção brasileira não teve boa atuação e foi dirigida por um técnico estrangeiro. Temos em nosso estado, um técnico que faz um excelente trabalho nas categorias de base e no adulto da Mangueira/Petrobrás, que merecia ter uma chance na amarelinha.
Entrevistamos Guilherme Vos, um verdadeiro guerreiro das quadras, que conseguiu feitos excepcionais pelo basquete do Rio de Janeiro, entre eles, vencer um brasileiro de seleções derrotando a poderosa estrutura de São Paulo na final e revelando para o mundo a pivô Clarissa, hoje, atuando pela equipe de Catanduva(SP).
Cesta Fácil: Guilherme, por que o feminino?
Guilherme Vos: No meu primeiro emprego no basquete, no Colégio ADN-Méier, eu tinha uma equipe masculina e com a procura das meninas para tentar formar também uma equipe feminina, começaram a treinar na escolinha do colégio. Percebi que poderiamos formar um grupo e participar das competições. Com a sequência dos treinos, o que mais me cativou, foi ver o compromisso e a dedicação das meninas, o que me motivava a treinar mais e superar os desafios e as dificuldades com um grupo de basquete feminino. Em seguida eu já tinha abraçado a causa, mesmo trabalhando num clube e dando treino para o mirim masculino. Após ter sido dispensado do masculino, no ano seguinte, resolvi disputar com as equipes femininas da escola, a Copa Eugenia Borer. Era uma competição aberta, sem custos, promovida pela Federação de Basquetebol do Rio de Janeiro, onde pensei ser uma oportunidade de dar mais qualidade técnica e tática a minha equipe. Para minha surpresa, ganhamos algumas categorias, onde participavam também, Flamengo, Botafogo e Vasco. Fomos campeões no torneio intercolegial, que era o objetivo inicial, dos treinos. Passou-se mais um ano e participamos novamente, ao final, fui convidado para assumir o comando técnico do Flamengo e daí para frente continuei com o feminino, onde estou até hoje.
Cesta Fácil: Em quais os clubes, o senhor trabalhou?
Guilherme Vos: Comecei disputando campeonatos abertos da federação, pelo Colégio ADN, em 1988. Trabalhei com o masculino no Grajaú Country Club, durante um ano, sendo terceiro colocado no estadual mirim. Assumi o Clube de Regatas Flamengo em 1993, onde fiquei até 2002, quando o então presidente, Edmundo Santos Silva, resolveu acabar com algumas modalidades no clube, entre elas o feminino de basquete. Nós, atletas e comissão técnica, nos transferimos para o Grajaú Country Club, onde jogamos 2003 e 2004. Entre 2005 e 2007, estive no Fluminense Futebol Clube e desde 2008, estou a frente das equipes de rendimento do G.R.E.S Mangueira.
Cesta Fácil: O que o senhor acha da formação da Liga Feminina de Basquete?
Guilherme Vos: Importantíssima para desenvolver o basquete feminino. Uma das necessidades da maioria das equipes, espalhadas pelo Brasil, é ter informações para saberem como disputar essa competição nacional. Agora com a LFB, acredito que o feminino tenha muito mais atenção e informação, tendo uma administração exclusivamente para resolver e desenvolver o basquete feminino.
Cesta Fácil: Como o Senhor vê, o basquete feminino, no estado do Rio de Janeiro?
Guilherme Vos: Com muitas jogadoras com potencial a serem desenvolvidos. Muitas meninas querem praticar o basquete, mas ainda existem poucos clubes para atender a essa demanda. Vejo treinadores se desdobrando para manter viva a modalidade. Acho que mesmo com pouco, os treinadores fazem muito aqui no Rio, pois em competições nacionais, o basquete feminino carioca está sempre no pódio de todas as competições que disputa.
Cesta Fácil: O que precisa ser melhorado?
Guilherme Vos: Mais clubes participando, precisamos de mais treinadores experientes, querendo trabalhar com o basquete feminino, clinicas específicas para o basquete feminino, além de visibilidade e divulgação para as competições femininas.
Cesta Fácil: Qual foi a sua maior alegria no basquete?
Guilherme Vos: Foram tantas, que talvez eu fosse injusto ao citar apenas uma. Para não deixar a pergunta sem resposta, acho que o basquete é um estilo de vida, amo o que eu faço e acho que a alegria de viver, vem dele também, as amizades que o basquete me deu, são presentes e motivo de muita alegria.
Cesta Fácil: E a maior decepção?
Guilherme Vos: Acho que o esporte ensina muita coisa e uma delas, é ter o espírito guerreiro, para não desistir, sendo perseverante por você e pelo grupo, isso é para ser utilizado, dentro e fora de quadra. Tento estimular esse pensamento nas pessoas e quando não percebo essa assimilação, lamento o fato de não se entregarem a algo que dizem amar.
Cesta Fácil: Se o senhor achasse uma "lâmpada mágica", quais seriam os três pedidos?
Guilherme Vos: Eu pediria, de cara, mais dez desejos. Sempre pensei nisso, quando eu assistia filmes em que essa situação se apresentava, imaginava que quando faltasse um pedido, logicamente eu pediria mais dez e assim seria pra sempre.
Cesta Fácil: O que tem a dizer aos técnicos de feminino do Rio de Janeiro?
Guilherme Vos: Que continuem a trabalhar e estimulem outros treinadores, jovens e experientes, a aderirem ao basquete feminino, que estes, possam acreditar, que irão contar, na maioria dos casos, com meninas talentosas, comprometidas e dedicadas.
Cesta Fácil: O que tem a dizer para as meninas iniciando no basquetebol?
Guilherme Vos: Primeiro para amarem o que fazem, sempre. É importante o elogio do treinador, dos pais e amigos, mas muito mais importante é a própria alegria, a valorização que você dá, ao que você faz e que errar faz parte do aprendizado. Diria para serem comprometidas e responsáveis com seus treinos, neles é que você vai desenvolver tudo aquilo que faz no jogo.
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
OVELHA NEGRA CARIOCA
O basquetebol feminino do Rio de Janeiro, agoniza.
Exceto o trabalho de base da Mangueira, que tem apoio de empresas de grande porte, todas as outras equipes sobrevivem da boa vontade dos clubes e de seus treinadores.
Nós do Cesta Fácil, estranhamos muito a não participação de Botafogo F.R na Liga de Basquetebol Feminino, uma vez que o coordenador de esportes olímpicos é o Sr. Miguel Ângelo da Luz, ex técnico da seleção brasileira que foi campeão mundial em 1994.
O Botafogo, "desistiu" e a missão de representar o basquete carioca, mais uma vez, é da Mangueira/Petrobrás, que mesmo sem grandes estrelas ou atletas estrangeiras, faz uma campanha digna de aplausos.
Pouco se comentou sobre o assunto, talvez pela felicidade de o basquete carioca, estar representado por pelo menos uma equipe, acabamos não percebendo como seria importante que existissem duas ou mais equipes, trazer mais jogos e de melhor nível para nosso estado, ou melhor, cidade, pois não existem equipes do interior do estado, disputando o pífio estadual, infelizmente.
Não compreendemos o motivo que levou o Botafogo a desistir não só de um campeonato nacional, mas de um projeto de resgate do basquete feminino no país.
Com os apoios dados pela LBF ( passagem e hospedagem) às equipes que disputam a competição, fica difícil acreditar que a "falta de verba", realmente impediu o clube de participar, chamar mídia, colaborar com seu propósito de incentivar o basquete feminino, fato este, que nenhum outro clube de futebol carioca o faz.
O que levou, realmente, o clube a desistir da LBF?
Será que custear arbitragem e alimentação tornou impossível um clube como o Botafogo, com o coordenador que fez história no feminino, disputar a LBF?
Será que não seria interessante para a LBF, um clube de futebol, massa, atrair mídia para o campeonato?
Havendo boa vontade de ambos, uma conversa não resolveria?
O fracasso do Colinas no mundial, fez o Miguel ter esperanças de retornar a seleção?
Talvez pela manifestação não favorável a mudança de técnico da CBB, ele decidiu não "colocar azeitona na empada" da Hortência?
Será que novamente os interesses pessoais, vaidades e os egos exacerbados prejudicaram o basquete?
Imaginemos a expectativa que estavam as atletas do clube, o técnico Orlando,em disputar uma competição nacional, representando o clube de, até então, maior torcida da competição?
Diante de todos estes fatos, nos resta, parabenizar a coragem, o trabalho de Guilherme Vos e sua comissão e a campanha feita até aqui pelo G.R.E.S. Mangueira/Petrobrás que em todos os aspectos, é a "ovelha negra" deste combalido basquete feminino carioca.
Exceto o trabalho de base da Mangueira, que tem apoio de empresas de grande porte, todas as outras equipes sobrevivem da boa vontade dos clubes e de seus treinadores.
Nós do Cesta Fácil, estranhamos muito a não participação de Botafogo F.R na Liga de Basquetebol Feminino, uma vez que o coordenador de esportes olímpicos é o Sr. Miguel Ângelo da Luz, ex técnico da seleção brasileira que foi campeão mundial em 1994.
O Botafogo, "desistiu" e a missão de representar o basquete carioca, mais uma vez, é da Mangueira/Petrobrás, que mesmo sem grandes estrelas ou atletas estrangeiras, faz uma campanha digna de aplausos.
Pouco se comentou sobre o assunto, talvez pela felicidade de o basquete carioca, estar representado por pelo menos uma equipe, acabamos não percebendo como seria importante que existissem duas ou mais equipes, trazer mais jogos e de melhor nível para nosso estado, ou melhor, cidade, pois não existem equipes do interior do estado, disputando o pífio estadual, infelizmente.
Não compreendemos o motivo que levou o Botafogo a desistir não só de um campeonato nacional, mas de um projeto de resgate do basquete feminino no país.
Com os apoios dados pela LBF ( passagem e hospedagem) às equipes que disputam a competição, fica difícil acreditar que a "falta de verba", realmente impediu o clube de participar, chamar mídia, colaborar com seu propósito de incentivar o basquete feminino, fato este, que nenhum outro clube de futebol carioca o faz.
O que levou, realmente, o clube a desistir da LBF?
Será que custear arbitragem e alimentação tornou impossível um clube como o Botafogo, com o coordenador que fez história no feminino, disputar a LBF?
Será que não seria interessante para a LBF, um clube de futebol, massa, atrair mídia para o campeonato?
Havendo boa vontade de ambos, uma conversa não resolveria?
O fracasso do Colinas no mundial, fez o Miguel ter esperanças de retornar a seleção?
Talvez pela manifestação não favorável a mudança de técnico da CBB, ele decidiu não "colocar azeitona na empada" da Hortência?
Será que novamente os interesses pessoais, vaidades e os egos exacerbados prejudicaram o basquete?
Imaginemos a expectativa que estavam as atletas do clube, o técnico Orlando,em disputar uma competição nacional, representando o clube de, até então, maior torcida da competição?
Diante de todos estes fatos, nos resta, parabenizar a coragem, o trabalho de Guilherme Vos e sua comissão e a campanha feita até aqui pelo G.R.E.S. Mangueira/Petrobrás que em todos os aspectos, é a "ovelha negra" deste combalido basquete feminino carioca.
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